E-commerce fatura R$ 208,4 bilhões no 1º semestre de 2026, alta de 16,9%, com pedidos menores e frequentes
Levantamento da Confi (Neotrust) mostra 756,7 milhões de pedidos e tíquete médio de R$ 275,50; Abiacom projeta R$ 259,8 bilhões no ano em outra metodologia.
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· Atualizada em 15 de setembro de 2026, 13:25 · 5 min de leitura

O comércio eletrônico brasileiro faturou R$ 208,4 bilhões no primeiro semestre de 2026, alta de 16,9% sobre o mesmo período de 2025, com 756,7 milhões de pedidos (+34,8%), segundo levantamento da Confi (Neotrust e Aftersale) com o E-Commerce Brasil. O brasileiro compra online com mais frequência e gasta menos por vez: o tíquete médio caiu 13,3%, para R$ 275,50.
Contexto
Enquanto o varejo físico amarga o 14º mês sem crescimento real no Índice Cielo, o canal digital segue em expansão de dois dígitos. Em julho, o ICVA registrou alta nominal de 9,7% no e-commerce contra 1,3% nas lojas físicas, de acordo com a Cielo. O consumidor endividado não parou de comprar; mudou de canal e de tamanho de carrinho.
O que aconteceu
O estudo da Confi, apresentado no Fórum E-Commerce Brasil em 28 de julho e reportado pela Forbes Brasil, foi construído a partir de transações de mais de sete mil lojas e do perfil de mais de 85 milhões de consumidores digitais. Os principais números do semestre:
- Faturamento: R$ 208,4 bilhões (+16,9%);
- Pedidos: 756,7 milhões (+34,8%);
- Tíquete médio: R$ 275,50 (-13,3%);
- Itens por pedido: de 2,25 para 1,97 (-12,4%).
"O consumidor migrou para compras mais recorrentes e planejadas ao longo do semestre", resumiu Pedro Chiamulera, CEO da Confi. Moda e acessórios lideraram em faturamento (R$ 19,3 bilhões), seguidos por eletrodomésticos (R$ 19,2 bilhões). Televisores somaram R$ 9,2 bilhões (+28,9%), com salto de 165,1% nos modelos acima de 70 polegadas. Vestuário esportivo cresceu 139,3%, para R$ 1,9 bilhão, e a categoria saúde avançou 45,8%, puxada pelas canetas emagrecedoras, que movimentaram R$ 6,1 bilhões (+213%).
No pós-venda, 58% das devoluções viraram estorno e 42%, vale-compras; o principal motivo de troca foi tamanho errado (55% dos casos). A Confi projeta R$ 254 bilhões para o segundo semestre, o que levaria o ano a R$ 462,5 bilhões, alta de 18,6%.
Duas réguas, uma direção
Os números da Confi não são comparáveis aos da Abiacom (ex-ABComm), que usa outra metodologia e escopo. A associação estimou o faturamento de 2025 em R$ 235,5 bilhões (+15,3%), com 438,9 milhões de pedidos, tíquete médio de R$ 536,60 e 94,2 milhões de compradores, e projeta R$ 259,8 bilhões para 2026, com 460,87 milhões de pedidos e 97,06 milhões de compradores, segundo o Central do Varejo. "O consumo digital é irreversível", disse Fernando Mansano, presidente da Abiacom, ao apresentar a projeção em fevereiro.
A diferença de escala decorre do que cada base conta: a Confi mede transações de lojas monitoradas, incluindo pedidos de baixo valor em marketplaces, o que explica o tíquete menor e o volume de pedidos maior. Em ambas as réguas, porém, o crescimento é de dois dígitos.
Os motores: marketplaces e frete grátis
O Mercado Livre superou pela primeira vez US$ 10 bilhões de receita em um trimestre (US$ 10,2 bilhões, +50%) e cresceu 36% em volume de mercadorias em moeda constante no segundo trimestre. O Brasil liderou o avanço, com GMV 39% maior e 56% mais itens vendidos, um ano após a redução do valor mínimo para frete grátis, conforme o Giro News. A margem operacional caiu para 6,7%, ante 12,2% um ano antes: a empresa está financiando o crescimento com margem.
A Shopee registrou GMV global de US$ 38,3 bilhões (+28,4%) e 4,2 bilhões de pedidos no trimestre e se declarou "líder do e-commerce brasileiro", sem detalhar métricas do país, segundo o Times Brasil. O TikTok Shop, por sua vez, pode alcançar cerca de R$ 20 bilhões em vendas anualizadas no Brasil ainda em 2026, estima o BTG Pactual em relatório citado pelo Seu Dinheiro; o GMV médio diário da plataforma cresceu 102 vezes entre maio de 2025 e maio de 2026.
Por que importa
Pedidos menores e mais frequentes mudam a economia da operação: custo de frete por pedido sobe, o peso das taxas fixas de marketplace aumenta e a margem por transação encolhe. Para marcas e indústrias, a mensagem é dupla: o volume está no digital, mas a rentabilidade depende de controlar preço, sortimento e canal, e não apenas de estar presente.
Impacto para o mercado
Logística de última milha e pontos de retirada ganham prioridade com o carrinho de 1,97 item. Categorias de reposição (beleza, saúde, pet, moda básica) se beneficiam da recorrência; duráveis de alto tíquete dependem de crédito, que segue caro. E o varejo físico que não integra o online perde justamente o consumidor que mais cresce.
Próximos passos
O segundo semestre concentra o Dia do Cliente (15 de setembro), a Black Friday (27 de novembro) e o Natal. Se a projeção da Confi se confirmar, 2026 será o primeiro ano acima de R$ 400 bilhões na régua da consultoria. A próxima leitura consolidada sai após a Black Friday.
Fontes
- E-commerce salta 16,9% e fatura R$ 208 bi no 1º semestre (Confi/Neotrust) — Forbes Brasil (28 de julho de 2026)
- E-commerce brasileiro fatura R$ 208,4 bilhões no primeiro semestre — E-Commerce Brasil (28 de julho de 2026)
- E-commerce deve faturar R$ 259,8 bi em 2026, projeta Abiacom — Central do Varejo (16 de fevereiro de 2026)
- Mercado Livre supera US$ 10 bilhões em receita no 2º trimestre — Giro News (6 de agosto de 2026)
- Shopee cresce 28% em GMV, vende US$ 38 bilhões e diz que já é a líder no e-commerce brasileiro — Times Brasil (11 de agosto de 2026)
- TikTok Shop mira R$ 20 bilhões e abre nova guerra no e-commerce brasileiro (relatório BTG Pactual) — Seu Dinheiro (29 de agosto de 2026)
- ICVA: varejo tem queda de 1,4% nas vendas do mês de julho — Cielo (27 de agosto de 2026)
Checagem editorial
- ConfirmadaE-commerce faturou R$ 208,4 bilhões no 1S26 (+16,9%), com 756,7 milhões de pedidos e tíquete de R$ 275,50
- ConfirmadaAbiacom projeta R$ 259,8 bilhões para 2026 e estimou R$ 235,5 bilhões em 2025
- ConfirmadaMercado Livre: receita de US$ 10,2 bi (+50%) e GMV do Brasil +39% no 2T26
- ConfirmadaShopee: GMV de US$ 38,3 bi (+28,4%) no 2T26; declara liderança no Brasil sem detalhar métricas locais
- ProvávelTikTok Shop pode chegar a R$ 20 bi anualizados no Brasil em 2026 — Estimativa do BTG Pactual, não dado realizado.
Perguntas frequentes
- Quanto o e-commerce brasileiro faturou no primeiro semestre de 2026?
- R$ 208,4 bilhões, alta de 16,9% sobre o primeiro semestre de 2025, com 756,7 milhões de pedidos, segundo a Confi (Neotrust e Aftersale) com o E-Commerce Brasil.
- Qual é o tíquete médio do e-commerce no Brasil em 2026?
- R$ 275,50 no primeiro semestre de 2026 na medição da Confi, queda de 13,3%; a Abiacom, com outra metodologia, projeta tíquete médio de R$ 562,15 para o ano.
- Qual é a projeção do e-commerce para 2026?
- A Abiacom projeta R$ 259,8 bilhões (+9,9% sobre 2025); a Confi projeta R$ 462,5 bilhões (+18,6%) em sua própria base, que inclui mais transações de marketplaces.
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