Atacado distribuidor bate recorde de 56% do mercado enquanto a indústria acelera venda direta em marketplaces
Ranking ABAD/NielsenIQ mostra canal indireto com R$ 616,6 bilhões; Midea Carrier, Growth e o avanço do TikTok Shop revelam uma indústria que passou a disputar o consumidor final.
Notícias e apuração
· Atualizada em 15 de setembro de 2026, 13:25 · 6 min de leitura

O atacado distribuidor faturou R$ 616,6 bilhões em 2025 e elevou sua fatia do mercado mercearil para 56%, o maior nível já registrado, segundo o Ranking ABAD/NielsenIQ 2026. Ao mesmo tempo, indústrias como Midea Carrier e Growth estruturam venda direta ao consumidor em marketplaces, e o TikTok Shop caminha para R$ 20 bilhões no Brasil. O canal indireto cresce, mas a indústria passou a disputar o consumidor final por conta própria.
Contexto
Durante décadas, a indústria brasileira chegou ao consumidor por meio de distribuidores, atacadistas e representantes. O marketplace mudou o cálculo: hoje um fabricante pode abrir uma loja oficial no Mercado Livre, na Shopee ou no TikTok Shop e vender direto, com logística terceirizada, alcance nacional e dados de sell-out que o distribuidor nunca entregou. A venda direta ao consumidor (D2C) ainda responde por apenas 5% da receita industrial no Brasil, contra 15% nos Estados Unidos, segundo dados da Synapcom citados pelo JoomPulse, mas é onde o crescimento está sendo buscado.
O que aconteceu
Atacado distribuidor: recorde de participação
O Ranking ABAD/NielsenIQ 2026, ano-base 2025, divulgado em 13 de maio, mostra o setor com faturamento de R$ 616,6 bilhões, crescimento nominal de 17,27% e real de 11%, elevando sua participação no mercado mercearil de 53,7% para 56%, conforme a ABAD. O estudo ouviu 768 empresas e mapeou 1,18 milhão de pontos de venda; o canal abastece 95% do varejo tradicional, 68% dos pequenos varejistas e 40% dos grandes supermercados. Entre as prioridades de investimento declaradas pelas empresas estão sistemas de gestão, e-commerce, marketplace e televendas.
Na abertura da Convenção ABAD 2026, em 8 de junho, o presidente da entidade, Leonardo Severini, defendeu o papel do canal: "Somos o elo que conecta a indústria ao pequeno e médio varejo. Somos o canal que chega onde os grandes não chegam". E cobrou isonomia: "Concorrência leal não é protecionismo. É justiça econômica", segundo registro da própria ABAD.
Indústria: D2C com estratégia, não como atalho
Do lado dos fabricantes, o movimento é de entrar no marketplace com regras. Luciano Camoezi, head de e-commerce da Midea Carrier, defendeu em julho, no E-Commerce Brasil, que uma indústria que decide ter D2C precisa de uma estratégia muito clara para essa venda direta, e não apenas de mais um canal. Em linha branca e climatização, o ciclo de recompra é de cerca de sete anos, o que torna a relação direta com o consumidor mais valiosa do que a venda pontual. A reportagem cita que o e-commerce D2C movimentou R$ 58 bilhões em 2025.
O caso mais emblemático segue sendo o da Growth Supplements, que após 16 anos vendendo apenas em canais próprios abriu loja oficial no Mercado Livre em novembro de 2025, em meio à intensificação da fiscalização da Anvisa sobre suplementos irregulares e falsificados nos marketplaces, conforme o Money Report. A empresa projetava faturar US$ 450 milhões no ano, e os efeitos do novo canal eram esperados principalmente a partir de 2026.
Novos canais: TikTok Shop e a logística das plataformas
O TikTok Shop, que estreou no Brasil com marcas como Natura, O Boticário, L'Oréal e Stanley entre os primeiros vendedores, pode alcançar cerca de R$ 20 bilhões em vendas anualizadas em 2026, segundo estimativa do BTG Pactual reportada pelo Seu Dinheiro; o GMV médio diário cresceu 102 vezes em um ano. Já a Shopee ampliou sua rede de centros de distribuição no Brasil de 16 para 26 em 2026, segundo divulgou em julho, reduzindo a dependência da logística do distribuidor para chegar ao interior.
Por que importa
O conflito de canal deixou de ser hipótese. Quando a indústria abre loja oficial, o distribuidor pergunta por que continua investindo em equipe de vendas e estoque; quando o distribuidor revende no marketplace abaixo da tabela, a indústria pergunta por que dá desconto de volume. E o pequeno varejo, que depende do canal indireto para 95% do abastecimento tradicional, assiste ao produto chegar mais barato pelo aplicativo.
A resposta que vem se consolidando entre fabricantes é a política comercial por canal: preço mínimo anunciado válido para todos, loja oficial com preço de referência e distribuidor com papel definido (capilaridade, crédito, mix) em vez de concorrer com a fábrica por preço.
Impacto para o mercado
- Distribuidores tendem a se especializar em serviço, crédito e cobertura do interior, áreas em que as plataformas ainda não substituem o canal.
- Representantes comerciais passam a cobrar regras sobre pedidos D2C na carteira de seus clientes.
- Indústrias precisam de dados de sell-out próprios, que o marketplace oferece e o distribuidor, em geral, não.
- Pequeno varejo exige do distribuidor preço compatível com o que o consumidor vê no marketplace.
Próximos passos
A ABAD projeta crescimento de volume, base de clientes e fornecedores em 2026 e amplia a agenda de digitalização do canal. Para a indústria, o segundo semestre é de testar o TikTok Shop e de organizar a política de preço antes da Black Friday. O ecomclube acompanhará quais fabricantes formalizam PMA e quais distribuidores entram nos marketplaces como lojas próprias.
Fontes
- Faturamento do atacado distribuidor chega a R$ 616,6 bilhões em 2025 e reforça protagonismo nacional do setor (Ranking ABAD/NielsenIQ 2026) — ABAD (13 de maio de 2026)
- Leonardo Severini abre Convenção ABAD 2026 com mensagem de confiança no futuro do canal indireto — ABAD (8 de junho de 2026)
- D2C nos marketplaces exige estratégia para aproximar indústria e consumidor — E-Commerce Brasil (3 de julho de 2026)
- D2C e marketplaces: por que as marcas usam os dois — JoomPulse (3 de setembro de 2026)
- Após 16 anos na venda direta, Growth vai ao Mercado Livre — Money Report (17 de novembro de 2025)
- TikTok Shop mira R$ 20 bilhões e abre nova guerra no e-commerce brasileiro (BTG Pactual) — Seu Dinheiro (29 de agosto de 2026)
- Shopee amplia centros de distribuição em mais de 60% no Brasil em 2026 — Central do Varejo (29 de julho de 2026)
- TikTok Shop inicia operação no Brasil com foco em creators e marcas — Central do Varejo (6 de maio de 2025)
Checagem editorial
- ConfirmadaAtacado distribuidor faturou R$ 616,6 bilhões em 2025 (+17,27% nominal; +11% real) e participação subiu de 53,7% para 56%
- ProvávelD2C responde por cerca de 5% da receita industrial no Brasil, contra 15% nos EUA (Synapcom) — Dado de consultoria citado em artigo de terceiros; metodologia não detalhada.
- ConfirmadaGrowth abriu loja oficial no Mercado Livre em 17/11/2025 após 16 anos de venda direta
- ProvávelShopee ampliou CDs no Brasil de 16 para 26 em 2026 — Divulgação da empresa reproduzida pela imprensa em julho/2026; não verificada em fonte primária.
- ProvávelE-commerce D2C movimentou R$ 58 bilhões em 2025 — Número citado na reportagem do E-Commerce Brasil sem identificação clara da fonte primária.
Perguntas frequentes
- Qual é a participação do atacado distribuidor no mercado brasileiro?
- 56% do mercado mercearil em 2025, recorde histórico, com faturamento de R$ 616,6 bilhões, segundo o Ranking ABAD/NielsenIQ 2026.
- Quanto da receita da indústria brasileira vem de venda direta (D2C)?
- Cerca de 5%, contra 15% nos Estados Unidos, segundo dados da Synapcom citados pelo JoomPulse em setembro de 2026.
- Como a indústria evita conflito de canal ao vender em marketplaces?
- Com política comercial por canal: preço mínimo anunciado válido para todos os revendedores, loja oficial com preço de referência e papel definido para o distribuidor (capilaridade, crédito e mix).
Nesta matéria
#indústria#distribuição#abad#d2c#marketplaces#conflito de canal
Morning Brief
Receba o resumo do varejo todos os dias às 7h.