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Da barraca de feira ao preço mínimo anunciado: a trajetória de Kleitom Mendes

De uma banca de roupas em Minas Gerais a uma rede com mais de 50 lojas, e da falência na pandemia ao método de PMA que virou software — o caminho do fundador do Scana

Redação ecomclube
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Notícias e apuração

· Atualizada em 16 de outubro de 2026, 19:31 · 7 min de leitura

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Da barraca de feira ao preço mínimo anunciado: a trajetória de Kleitom Mendes
Kleitom Mendes no escritório, com os livros que acompanham a trajetória dele. Foto: arquivo pessoal

Nota da redação: Kleitom Mendes é o publisher do ecomclube e fundador do Scana, empresa citada nesta reportagem. Por essa razão, o texto foi produzido pela redação, não por ele, e todo dado de plataforma aqui apresentado tem a fonte indicada — a maior parte vem do Índice PMA, levantamento com metodologia pública do próprio Scana. Marcas são citadas apenas quando são clientes confirmados.

A história começa onde quase nenhuma empresa de tecnologia começa: numa barraca de feira em Minas Gerais, vendendo roupa.

É dali que sai o caminho de Kleitom Mendes até o problema que hoje ocupa o dia dele — o preço que a indústria perde de vista assim que o produto entra num marketplace. Entre um ponto e outro há uma rede de lojas, uma fábrica, uma falência, uma reinvenção digital e uma planilha operada por dez pessoas que acabou virando software.

A rede física

Antes do digital veio o varejo de rua. A operação cresceu da banca para pontos fixos e chegou, em 2019, a mais de 50 pontos de venda distribuídos pelo Sul, Sudeste e Centro-Oeste, com mais de 100 colaboradores diretos e fábrica própria de jeans em Salto, no interior de São Paulo.

Era uma operação verticalizada: produzia, distribuía e vendia. E era, também, inteiramente dependente de porta aberta.

2020: a conta chega de uma vez

A pandemia fechou a operação física. Não foi uma retração — foi o fim do modelo.

A reconstrução veio pelo canal que sobrou de pé. A migração para o marketplace funcionou, e o faturamento voltou pela internet. Esse período produziu dois efeitos que explicam o resto da história: um aprendizado prático de como o algoritmo de um marketplace decide quem vende, e a credencial de consultor certificado do Mercado Livre.

Do operador ao professor

O conhecimento virou sala de aula. Mais de mil pessoas passaram por turmas presenciais de formação de vendedores. Em 2025, segundo levantamento do próprio programa, os alunos formados somaram R$ 450 milhões em vendas no Mercado Livre.

É nesse ponto que o problema aparece — e ele não vem do vendedor, vem de cima.

O problema que ninguém media

Treinando vendedores e conversando com indústrias, Kleitom passou a ouvir a mesma queixa em setores que não têm nada a ver entre si: alimento, tinta, ferramenta, instrumento musical, produto para animais. A marca definia uma tabela, o revendedor anunciava abaixo dela, o concorrente acompanhava, e em poucas semanas o preço de referência do produto no maior canal do país era outro — mais baixo, e permanente.

A indústria sentia o efeito no fim do mês, como queda de margem. Mas não tinha número: tinha a reclamação de um representante e o print de um anúncio.

Em 2024 começou o trabalho de transformar isso em método. Foram meses de estudo com escritórios jurídicos — porque política de preço mínimo anunciado tem limite legal claro, e uma política mal escrita vira problema concorrencial — e mais de 100 feiras setoriais visitadas para entender como cada cadeia se organiza.

A planilha que não escalava

A primeira versão do serviço era humana. Dez pessoas conferindo anúncio por anúncio, em planilha, comparando preço praticado com preço mínimo.

Funcionava e não escalava. Uma marca com algumas centenas de produtos em quatro canais já produz milhares de combinações para checar; conferir tudo manualmente significa entregar à indústria um retrato que já nasce velho.

A automação dessa rotina é o Scana.

O que a plataforma mede hoje

Os números agregados da base são publicados periodicamente, com metodologia declarada, no Índice PMA. Na edição de outubro de 2026: 37 canais monitorados com anúncios ativos, 420 mil anúncios vivos na base e 13,6 mil vendedores distintos identificados.

O indicador central do levantamento: 27,6% dos anúncios com preço coletado estão abaixo do preço mínimo definido pela marca, nos canais em que o anúncio é vinculado ao produto por código de barras. O desvio mediano é de −11,8%.

Entre as marcas atendidas estão 3 Corações, Tramontina, Eucatex, Vedacit, PremieR Pet, Nutricon, Furacão Pet, Tagima e Maximum.

Por que a trajetória explica o produto

Há uma coerência entre as duas pontas dessa história que vale registrar, porque ela é incomum em software B2B.

Quem monta ferramenta de monitoramento de preço normalmente chega pelo lado da tecnologia: identifica um dado disponível e constrói um painel. O caminho aqui foi o inverso — a ferramenta nasceu de quem já tinha sido o revendedor que compete por preço, o lojista que vê a margem encolher e o consultor que escuta a indústria reclamar sem saber o tamanho do problema.

Isso aparece em decisões de produto que parecem detalhe e não são: comparar por código de barras em vez de por nome do produto, tratar kit multiplicando o preço mínimo pela quantidade, separar o vendedor que errou um item do que opera centenas abaixo da tabela. São distinções que só fazem sentido para quem já esteve do outro lado do balcão.

O que vem agora

O plano declarado é expansão para a América Latina — movimento que faz sentido técnico, já que os maiores marketplaces da região operam a mesma plataforma em vários países.

No Brasil, o trabalho segue sendo o mesmo de 2024, com mais escala: convencer a indústria de que preço em marketplace é um dado que se mede todo dia, e não uma percepção que se discute em reunião.

Perguntas frequentes

Quem é Kleitom Mendes?

Empreendedor com trajetória em varejo de rua, distribuição e e-commerce. Construiu uma rede com mais de 50 pontos de venda e fábrica própria de jeans antes da pandemia, migrou para marketplaces em 2020 e tornou-se consultor certificado do Mercado Livre. É fundador do Scana, plataforma de monitoramento de preço mínimo anunciado, e publisher do ecomclube.

O que é preço mínimo anunciado (PMA)?

É o piso de exibição que uma marca define para o preço com que seus produtos podem ser anunciados por revendedores. Diferente do preço sugerido, que é apenas recomendação, o PMA tem critério definido e verificação contínua — por isso é mensurável e permite conversa objetiva com o canal.

O que faz o Scana?

Verifica diariamente o preço praticado em cada anúncio das marcas monitoradas e compara com o preço mínimo definido pelo fabricante, por código de barras e por canal. Segundo o Índice PMA de outubro de 2026, a base cobre 37 canais e 420 mil anúncios ativos.

Quantos anúncios estão abaixo do preço mínimo no Brasil?

Segundo o Índice PMA do Scana de outubro de 2026, 27,6% dos anúncios monitorados com vínculo por código de barras estão abaixo do preço mínimo da marca, com desvio mediano de −11,8%. A base é formada por marcas que contrataram monitoramento, portanto o nível absoluto não representa a média do varejo brasileiro.

Fontes

  1. Quem é Kleitom Mendes — trajetória publicada no blog do Scana — Scana (16 de outubro de 2026)
  2. Índice PMA Scana — metodologia e números agregados da base — Scana (13 de outubro de 2026)

Nesta matéria

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