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Casas Bahia, Marabraz e Toky: recuperações judiciais no varejo somam quase R$ 20 bilhões em 2026

Pedidos de 15 e 16 de agosto elevam a 986 o número de varejistas em RJ; juros altos, crédito escasso e lojas grandes demais unem os casos.

Redação ecomclube

Notícias e apuração

· Atualizada em 15 de setembro de 2026, 14:58 · 6 min de leitura

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Casas Bahia, Marabraz e Toky: recuperações judiciais no varejo somam quase R$ 20 bilhões em 2026
Foto: ZeroTwoAndHiroWW2 / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

Casas Bahia e Marabraz pediram recuperação judicial em São Paulo com um dia de diferença, em 15 e 16 de agosto de 2026, somando cerca de R$ 17,4 bilhões em dívidas. Os pedidos se juntam ao do Grupo Toky (Tok&Stok e Mobly), em maio, e elevam a quase R$ 20 bilhões o passivo de grandes marcas do varejo em reestruturação neste ano, segundo levantamentos da RGF e do Poder360.

Contexto

O varejo brasileiro fechou o primeiro semestre de 2026 com 986 empresas em recuperação judicial, alta de 20,4% em doze meses e de 6,6% no semestre, de acordo com o Monitor RGF-BIZDOC reportado pelo Times Brasil. Outras 686 varejistas estão em falência. O setor responde por 12,4% de todas as recuperações judiciais do país.

Por porte, as médias empresas concentram 50,6% dos casos, micro e pequenas 44,3% e grandes apenas 5,1%. Entre os segmentos, lideram postos de combustíveis (182 empresas), hiper e supermercados (101), autopeças (92), vestuário (89) e material de construção (70).

O que aconteceu

Casas Bahia: R$ 17,3 bilhões e 298 lojas a menos

O Grupo Casas Bahia protocolou o pedido na noite de domingo, 16 de agosto, no Foro Central Cível de São Paulo, para renegociar R$ 17,3 bilhões em dívidas, conforme o Metrópoles. O pedido abrange nove empresas do grupo, entre elas ASAP Log, Cnova e a fabricante de móveis Bartira. No segundo trimestre, a companhia registrou prejuízo de cerca de R$ 10 bilhões e patrimônio líquido negativo de R$ 8,1 bilhões.

A reestruturação prevê o fechamento de 298 lojas, cerca de 28,7% da rede, e o desligamento de 1,9 mil a 3 mil funcionários. Em 2024, a empresa já havia recorrido a uma recuperação extrajudicial para renegociar R$ 4,1 bilhões.

"O destino continua o mesmo: ter uma operação saudável e rentável", disse o CEO Renato Franklin ao Jornal de Brasília, descrevendo a recuperação judicial como instrumento para "resolver os passivos estruturais da companhia". Ao Money Report, ele foi direto: "A estratégia daqui em diante é operar uma companhia menor, mais seletiva e concentrada nas atividades capazes de gerar retorno e caixa." Franklin citou a escalada dos juros, a pressão sobre o petróleo após o início do conflito entre Estados Unidos e Irã, em abril, e a volatilidade eleitoral como fatores que inviabilizaram a captação de capital planejada.

Marabraz: R$ 140 milhões e uma disputa de família

Um dia antes, no sábado 15 de agosto, a rede paulista de móveis e eletrodomésticos Lojas Marabraz pediu recuperação judicial na 3ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo, com passivo de R$ 140,188 milhões distribuído em cinco empresas, segundo o Poder360. A rede, que já chegou a operar até 135 lojas na Grande São Paulo e no interior, enfrenta mais de mil ações trabalhistas.

Além de juros altos, endividamento e inadimplência do consumidor, o pedido cita uma disputa societária entre gerações da família Fares pela holding LP Administradora de Bens, que retirou da varejista as garantias imobiliárias que sustentavam suas linhas de crédito. A holding negou relação com a crise e atribuiu a situação à administração da própria Marabraz.

Grupo Toky: móveis e decoração sob pressão

Em maio, o Grupo Toky, controlador da Tok&Stok e da Mobly, pediu recuperação judicial com dívidas superiores a R$ 1 bilhão. O processamento foi deferido em 15 de junho pela mesma 3ª Vara, segundo O Tempo. O grupo opera cerca de 65 lojas (50 Tok&Stok e 15 Mobly), emprega cerca de 1.800 pessoas e faturou R$ 1,5 bilhão líquidos, e atribuiu o pedido ao "ambiente macroeconômico desafiador", com juros elevados e maior endividamento das famílias.

Fora do varejo de bens, o Grupo Gennius, dono das redes Habib's, Ragazzo e Tendall Grill, também entrou em recuperação judicial, com passivo de R$ 265 milhões, conforme o Poder360.

Por que importa

Os três casos têm a mesma assinatura: redes de grande formato, dependentes de crediário e de bens duráveis, com estrutura de lojas dimensionada para um consumidor que hoje está endividado. "O macro explica a pressão e o momento; a gestão explica quem afunda", afirmou Claudio Damasceno, sócio sênior da RGF, ao Poder360. O levantamento do escritório contabiliza 6.341 empresas em recuperação judicial no país em julho e 370 novos pedidos no primeiro semestre.

Impacto para o mercado

Para a indústria de móveis, eletro e linha branca, a recuperação judicial de Casas Bahia significa créditos de fornecimento sujeitos ao plano, pedidos menores e a perda de centenas de pontos de venda em cidades médias. Distribuidores e representantes que atendiam as lojas fechadas precisarão redirecionar volume para redes regionais e para marketplaces.

Para concorrentes, abre-se espaço: Magazine Luiza, redes regionais de eletro e o próprio Mercado Livre disputam o consumidor de crediário que a Casas Bahia deixará de atender nas praças abandonadas.

Próximos passos

A Casas Bahia tem 60 dias, a contar do deferimento, para apresentar o plano de recuperação aos credores; o fechamento das 298 lojas ocorre ao longo do segundo semestre. Na Marabraz, a disputa com a holding familiar tende a se arrastar na Justiça. O Grupo Toky negocia com credores sob a suspensão de cobranças de 180 dias. O ecomclube acompanha os três processos.

Fontes

  1. Com dívidas de R$ 17,3 bilhões, Casas Bahia pede recuperação judicialMetrópoles (17 de agosto de 2026)
  2. Recuperação judicial é instrumento, não destino da empresa, diz CEO da Casas BahiaJornal de Brasília (17 de agosto de 2026)
  3. Renato Franklin, CEO da Casas Bahia: 'A estratégia daqui em diante é operar uma companhia menor'Money Report (17 de agosto de 2026)
  4. Marabraz pede recuperação judicial com dívida de R$ 140 miPoder360 (16 de agosto de 2026)
  5. Justiça aceita pedido de recuperação judicial do grupo Toky, dono da Tok&Stok e MoblyO Tempo (15 de junho de 2026)
  6. Grandes marcas do varejo acumulam R$ 20 bilhões em RJs em 2026Poder360 (1 de setembro de 2026)
  7. Varejo brasileiro chega a 986 empresas em recuperação judicial, alta de 20,4% em um ano (Monitor RGF-BIZDOC)Times Brasil (19 de agosto de 2026)

Checagem editorial

  • ConfirmadaCasas Bahia pediu RJ em 16/08/2026 com dívida de R$ 17,3 bilhões e plano de fechar 298 lojas
  • ConfirmadaMarabraz pediu RJ em 15/08/2026 com passivo de R$ 140,188 milhões na 3ª Vara de Falências de SP
  • ProvávelGrupo Toky opera cerca de 65 lojas e emprega cerca de 1.800 pessoasO Tempo cita 65 lojas e 1.800 funcionários; Capital Aberto citou 63 lojas e mais de 2.200 funcionários. Usamos 'cerca de'.
  • Confirmada986 varejistas em RJ ao fim do 1º semestre de 2026, alta de 20,4% em 12 meses
  • ConfirmadaPrejuízo da Casas Bahia no 2T26 foi de cerca de R$ 10 bilhõesMetrópoles cita R$ 10 bilhões; Jornal de Brasília cita R$ 10,1 bilhões.

Perguntas frequentes

Qual é a dívida da Casas Bahia na recuperação judicial de 2026?
A Casas Bahia pediu recuperação judicial em 16 de agosto de 2026 para renegociar R$ 17,3 bilhões em dívidas, com plano de fechar 298 lojas (28,7% da rede).
Por que a Marabraz pediu recuperação judicial?
A Marabraz protocolou o pedido em 15 de agosto de 2026 com passivo de R$ 140 milhões, citando juros altos, queda do consumo e a perda de garantias imobiliárias por causa de uma disputa familiar na holding LP Administradora de Bens.
Quantas empresas de varejo estão em recuperação judicial no Brasil?
Segundo o Monitor RGF-BIZDOC, 986 varejistas estavam em recuperação judicial ao fim do primeiro semestre de 2026, alta de 20,4% em doze meses.

Nesta matéria

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