Antes de cobrar o revendedor, confira a sua tabela
Na reta final da Black Friday, a maior parte dos novos alertas de preço não nasce no anúncio. Nasce na planilha da própria indústria.

Toda Black Friday tem um momento em que o comercial de uma indústria abre o relatório de preços e leva um susto: a quantidade de anúncios abaixo do preço mínimo subiu. A reação natural é acionar a rede, cobrar os revendedores e apertar a fiscalização. Em boa parte dos casos, é a reação errada.
Os números do Índice PMA Scana desta Black Friday mostram por quê. Entre meados de setembro e o fim de outubro, de cada dez anúncios que passaram a ficar abaixo do preço mínimo, quase seis não tinham mudado de preço. Quem mudou foi a tabela da marca.
O alerta que a indústria cria sozinha
Preço mínimo anunciado é uma régua. Quando a régua sobe, quem estava em cima dela passa a estar embaixo, sem mexer em nada. É matemática, não comportamento.
O problema é que, na prática comercial, essa mudança raramente chega a todos ao mesmo tempo. A tabela nova é aprovada internamente, entra no sistema de monitoramento no mesmo dia, e o revendedor fica sabendo dias depois, quando fica sabendo. Nesse intervalo, ele aparece como infrator.
Perto da Black Friday, isso custa mais caro por três motivos.
O calendário já está correndo. O Mercado Livre usa os preços praticados nos 60 dias anteriores para validar o desconto de Black Friday. Mexer na política no meio dessa janela muda a referência de quem está tentando se organizar para a data.
A relação com a rede está no limite. Novembro é o mês em que o revendedor mais precisa vender e em que a indústria mais precisa dele no ponto. Uma cobrança injusta agora tem peso dobrado.
O dado perde valor. Se metade dos alertas vem de mudança de tabela, o painel não diz mais quem está quebrando a política. Diz só quem ainda não recebeu o e-mail.
Um roteiro simples para mudar o preço mínimo sem criar infrator
1. Versione a tabela. Toda tabela de preço mínimo precisa de número de versão e data de vigência. "Tabela de novembro, válida a partir de 10/11" resolve metade das discussões futuras.
2. Comunique antes de vigorar. O revendedor recebe a nova tabela por escrito com antecedência. Sete dias é um prazo razoável para quem tem estoque anunciado em vários canais.
3. Cobre só a partir da vigência. Antes da data, o anúncio abaixo da nova régua é informação, não infração. Use esse período para avisar, não para notificar.
4. Separe preço de tabela no relatório. Ao revisar os alertas, olhe primeiro para quem baixou o preço. Esse é o comportamento que a política existe para coibir.
5. Na reta final, segure a régua. A três semanas da Black Friday, a melhor tabela é a que não muda. Se a política foi bem desenhada em outubro, ela aguenta novembro.
O que os dados não mostram (ainda)
Há também uma boa notícia. Até o início de novembro, os mesmos dados não mostram uma corrida antecipada de descontos: a variação mediana do preço dos anúncios foi zero, e o número de anúncios que baixaram preço foi praticamente igual ao dos que subiram.
Isso não significa que ela não virá. Significa que ainda dá tempo de chegar à data com a rede alinhada, desde que a indústria cuide primeiro da parte que só depende dela.
Leia também
- A guerra de preços da Black Friday começa em setembro — as quatro semanas de alta da violação antes da janela de 60 dias.
Sobre o autor
Kleitom Mendes é fundador do Scana, plataforma de monitoramento de preço mínimo anunciado em marketplaces.
Este texto é análise e reflete a visão do autor. Não constitui recomendação de investimento.
Fontes
- Black Friday 2026: o preço ficou, o PMA mudou — Índice PMA Scana — Scana (3 de novembro de 2026)
Nesta matéria
#black friday#preço mínimo anunciado#pma#política comercial#indústria#marketplaces
Morning Brief
Receba o resumo do varejo todos os dias às 7h.
Importações de até US$ 50 sobem 74% e produção de confecção cai 8,2%, aponta Abit
Entidade associa o salto das encomendas internacionais ao fim do imposto de importação na faixa, convertido em lei em 10 de setembro
25 de set

JBS e Viva assinam acordo definitivo para unir operações de couro em sociedade 50-50
A JBS Viva reunirá as operações de couros da JBS no Brasil e no exterior e os ativos da Viva no setor; a conclusão depende de condições precedentes e não tem data
16 de set

Atacado distribuidor bate recorde de 56% do mercado enquanto a indústria acelera venda direta em marketplaces
Ranking ABAD/NielsenIQ mostra canal indireto com R$ 616,6 bilhões; Midea Carrier, Growth e o avanço do TikTok Shop revelam uma indústria que passou a disputar o consumidor final.
12 de set
