Reforma tributária entra em disputa no segundo turno e abre dois cenários para o varejo
Campanha de Flávio Bolsonaro sinaliza "pausar" a implementação para uma "reforma da reforma"; em um quarto mandato de Lula, o cronograma segue como está
Com a definição do segundo turno entre Flávio Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT), marcado para 25 de outubro de 2026, a conclusão da reforma tributária passou a ser um dos pontos em que as duas candidaturas apresentam caminhos distintos — com efeito direto sobre a formação de preço no varejo, na indústria e nos marketplaces.
Segundo levantamento do InfoMoney publicado em 5 de outubro de 2026 com análise de economistas, a principal tarefa do ciclo 2027-2030 é concluir a reforma "definindo as alíquotas do IVA/CBS e do Imposto Seletivo, para dar segurança jurídica ao setor produtivo antes do início da transição".
A candidatura de Flávio Bolsonaro, de acordo com a mesma análise, "sinalizou a intenção de 'pausar' a implementação para promover uma 'reforma da reforma' e rever pontos aprovados". Já em um eventual quarto mandato de Lula, "o andamento não deve sofrer alterações".
O pano de fundo fiscal
O debate não corre isolado. O Banco Central divulgou em 30 de setembro que a dívida bruta do governo geral chegou a 82,9% do PIB em agosto, o equivalente a R$ 11,1 trilhões — o maior patamar desde março de 2021, quando marcava 85,1% em plena pandemia. Em julho, a relação estava em 82,5%. O principal fator de pressão no mês foram os juros nominais apropriados, com 0,8 ponto percentual.
É dessa conta que os economistas ouvidos fazem depender a trajetória da Selic no próximo mandato — e, por consequência, o custo do capital de giro, do crédito ao consumidor e do parcelamento.
O que muda para quem vende
Para quem opera em mais de um estado, vende em marketplace ou monta preço contando com crédito tributário, a diferença entre os dois cenários não é só de alíquota: é de calendário. Um cronograma mantido permite planejar sistema, contrato e tabela com a transição já conhecida. Uma revisão em aberto adia essa definição e empurra a decisão de preço para o escuro.
A recomendação prática é tratar a transição como cenário duplo no planejamento de 2027, e não como dado fechado.
Fontes
- O que esperar do debate econômico no segundo turno das eleições presidenciais? — InfoMoney (5 de outubro de 2026)
- Dívida bruta atinge 82,9% do PIB em agosto, diz Banco Central — Poder360 (30 de setembro de 2026)
Nesta matéria
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