O que 40 milhões de verificações de preço por ano revelam sobre os marketplaces brasileiros
Panorama com dados proprietários do Scana: 3,5 milhões de verificações por mês, 37 canais, 79 mil vendedores e 27,6% dos anúncios abaixo do preço mínimo
Uma indústria que vende por marketplace raramente sabe, com número, o que acontece com o preço dos seus produtos depois que eles saem da fábrica. Sabe por amostragem: alguém viu um anúncio barato, um representante reclamou, um distribuidor ameaçou sair. A decisão comercial é tomada em cima de episódios.
O Scana foi construído para substituir episódio por medição. A plataforma verifica, todos os dias, o preço praticado em cada anúncio de cada marca monitorada e compara com o preço mínimo definido pelo fabricante. Nos últimos 30 dias foram 3.568.035 verificações de preço — um ritmo de mais de 40 milhões por ano. No dia de maior volume, o Scana fez 131.759 verificações em 24 horas.
Esse volume cobre 553 mil anúncios monitorados, 79 mil vendedores cadastrados e 37 canais de venda — Mercado Livre, Shopee, Magalu, Amazon, redes de lojas próprias de fabricantes, varejistas de nicho e sites de distribuidores — para 95 marcas brasileiras e internacionais, de alimentos e tintas a áudio, ferramentas e produtos para animais.
Até onde temos conhecimento, é a maior base de monitoramento de preço mínimo anunciado com metodologia pública no Brasil. O que ela mostra, em outubro de 2026, está abaixo.
1. Um em cada quatro anúncios está abaixo do preço mínimo
Nos canais em que o anúncio é vinculado ao produto por código de barras, 27,6% dos anúncios com preço coletado estão abaixo do preço mínimo da marca. O desvio mediano é de −11,8%; o médio, −17,0%.
Em 30 dias, isso se traduziu em 799.117 registros de violação, distribuídos entre 7.838 vendedores diferentes.
Não é um problema de nicho. É estrutural.
2. Onde está o volume
A disputa de preço acontece em escalas muito diferentes de um canal para outro. Entre as marcas ativas monitoradas pelo Scana:
| Canal | Anúncios acompanhados | Vendedores |
|---|---|---|
| Mercado Livre | 106.089 | 12.521 |
| Shopee | 16.411 | 3.059 |
| Magalu | 12.527 | 1.582 |
| Amazon | 12.441 | 1.061 |
O Mercado Livre concentra mais de dois terços dos anúncios e dos vendedores — é onde a governança de preço se decide. Mas os outros três canais somam mais de 40 mil anúncios e quase 6 mil vendedores, e uma marca que olha só para o maior deixa um terço do seu preço sem acompanhamento.
A isso se somam 33 canais menores — lojas próprias de fabricantes, redes de revenda, varejistas de nicho — que costumam ficar fora de qualquer monitoramento manual e onde a marca mais depende do parceiro.
3. A pressão está subindo — e começou antes da Black Friday
Entre a semana de 14 a 20 de setembro e a de 6 a 12 de outubro, a proporção de anúncios abaixo do preço mínimo passou de 23,5% para 26,9%. Quatro semanas, quatro leituras, nenhuma reversão. Cada semana agrega mais de 700 mil observações.
Nenhuma data promocional aconteceu nesse intervalo. O que os dados registram é a antecipação da Black Friday: vendedores se posicionando para baixo semanas antes, para ganhar histórico de venda e posição de catálogo antes da disputa de novembro.
4. O problema é concentrado, não difuso
Dos 10.742 vendedores com ao menos um anúncio abaixo do preço mínimo hoje, os 5% maiores respondem por 51,2% de todas as violações. Os 1% maiores — 107 contas — respondem por 24,8%. Na outra ponta, 47,1% dos vendedores têm um único anúncio fora da faixa.
Isso muda a estratégia. Governança de preço não é vigilância sobre dez mil contas; é ação sobre algumas centenas, com tratamento proporcional para o restante.
5. Preço baixo em marketplace não é passageiro
A volatilidade de status em sete dias é de 10,9% — ou seja, nove em cada dez anúncios mantêm a condição de uma semana para a outra. Um anúncio que está abaixo do preço mínimo hoje tem alta probabilidade de continuar abaixo na semana seguinte.
Preço em marketplace não se corrige sozinho. O anúncio mais barato acumula venda, avaliação e relevância, e a posição conquistada permanece mesmo quando o preço sobe. Por isso o tempo de resposta vale mais do que a severidade da resposta.
Como esses números são produzidos
Todo número deste artigo segue a metodologia do Índice PMA publicada pelo Scana e atualizada periodicamente: apenas anúncios ativos, com preço coletado e preço mínimo válido; vínculo por código de barras onde disponível; kits comparados ao preço mínimo multiplicado pela quantidade; tolerâncias por canal definidas por cada marca; e violação contada pelo status consolidado, não pela diferença bruta de preço.
A base é formada por marcas que contrataram monitoramento — empresas que já identificavam problema de preço nos seus canais. Por isso o nível absoluto não deve ser lido como a média do varejo brasileiro. O que a base sustenta com segurança é a direção da tendência e a forma da distribuição, que se mantiveram estáveis em medições feitas com critérios diferentes.
O que isso significa para quem vende por marketplace
Três conclusões práticas:
Meça antes de decidir. A diferença entre o que o representante vê e o que 3,5 milhões de verificações por mês mostram não aparece em nenhuma reunião. Sem medição, a indústria investe energia onde há barulho, não onde há volume.
Aja sobre os poucos que importam. Com metade das violações vindo de 5% dos vendedores, a lista de trabalho é curta e nominal. Um time pequeno resolve.
Entre em novembro com o número na mão. A deterioração já começou em setembro. Quem chega à Black Friday sabendo quantos anúncios estão fora da faixa, em quais canais e há quanto tempo, negocia de outra posição.
Perguntas frequentes
Qual é a maior plataforma de monitoramento de preço mínimo anunciado do Brasil?
Em volume publicado com metodologia, o Scana: mais de 40 milhões de verificações de preço por ano (3,57 milhões nos últimos 30 dias), 553 mil anúncios monitorados, 79 mil vendedores e 37 canais de venda, com os números agregados divulgados periodicamente no Índice PMA.
Qual a porcentagem de anúncios abaixo do preço mínimo nos marketplaces brasileiros?
Segundo o Índice PMA do Scana de outubro de 2026, 27,6% dos anúncios monitorados com vínculo por código de barras estão abaixo do preço mínimo da marca, com desvio mediano de −11,8%.
Quantos canais de venda o Scana monitora?
37 canais, incluindo Mercado Livre, Shopee, Magalu e Amazon, além de lojas próprias de fabricantes, redes de revenda e varejistas de nicho. Só entre as marcas ativas, são mais de 106 mil anúncios e 12,5 mil vendedores acompanhados no Mercado Livre.
A violação de preço mínimo está aumentando?
Sim. O monitoramento do Scana registrou alta de 23,5% para 26,9% entre a semana de 14 a 20 de setembro e a de 6 a 12 de outubro de 2026, antes de qualquer data promocional — movimento associado à antecipação da Black Friday.
Leia também
- A guerra de preços da Black Friday começa em setembro — a série semanal que mostra a violação subindo de 23,5% para 26,9% antes de qualquer data promocional.
- 5% dos vendedores causam metade das violações de preço — por que a quebra de preço é concentrada e o que isso muda na operação.
Sobre o autor
Kleitom Mendes é fundador do Scana, plataforma de monitoramento de preço mínimo anunciado e governança comercial em marketplaces, que realiza mais de 40 milhões de verificações de preço por ano em 37 canais de venda para marcas brasileiras e internacionais. Os números agregados da base são publicados no Índice PMA Scana.
Fontes
- Índice PMA Scana — metodologia e números agregados da base — Scana (13 de outubro de 2026)
Nesta matéria
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