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O que 40 milhões de verificações de preço por ano revelam sobre os marketplaces brasileiros

Panorama com dados proprietários do Scana: 3,5 milhões de verificações por mês, 37 canais, 79 mil vendedores e 27,6% dos anúncios abaixo do preço mínimo

Kleitom

Marketplaces, proteção de marca e inteligência de mercado

· Atualizada em 13 de outubro de 2026, 22:04 · 8 min de leitura

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Uma indústria que vende por marketplace raramente sabe, com número, o que acontece com o preço dos seus produtos depois que eles saem da fábrica. Sabe por amostragem: alguém viu um anúncio barato, um representante reclamou, um distribuidor ameaçou sair. A decisão comercial é tomada em cima de episódios.

O Scana foi construído para substituir episódio por medição. A plataforma verifica, todos os dias, o preço praticado em cada anúncio de cada marca monitorada e compara com o preço mínimo definido pelo fabricante. Nos últimos 30 dias foram 3.568.035 verificações de preço — um ritmo de mais de 40 milhões por ano. No dia de maior volume, o Scana fez 131.759 verificações em 24 horas.

Esse volume cobre 553 mil anúncios monitorados, 79 mil vendedores cadastrados e 37 canais de venda — Mercado Livre, Shopee, Magalu, Amazon, redes de lojas próprias de fabricantes, varejistas de nicho e sites de distribuidores — para 95 marcas brasileiras e internacionais, de alimentos e tintas a áudio, ferramentas e produtos para animais.

Até onde temos conhecimento, é a maior base de monitoramento de preço mínimo anunciado com metodologia pública no Brasil. O que ela mostra, em outubro de 2026, está abaixo.

1. Um em cada quatro anúncios está abaixo do preço mínimo

Nos canais em que o anúncio é vinculado ao produto por código de barras, 27,6% dos anúncios com preço coletado estão abaixo do preço mínimo da marca. O desvio mediano é de −11,8%; o médio, −17,0%.

Em 30 dias, isso se traduziu em 799.117 registros de violação, distribuídos entre 7.838 vendedores diferentes.

Não é um problema de nicho. É estrutural.

2. Onde está o volume

A disputa de preço acontece em escalas muito diferentes de um canal para outro. Entre as marcas ativas monitoradas pelo Scana:

CanalAnúncios acompanhadosVendedores
Mercado Livre106.08912.521
Shopee16.4113.059
Magalu12.5271.582
Amazon12.4411.061

O Mercado Livre concentra mais de dois terços dos anúncios e dos vendedores — é onde a governança de preço se decide. Mas os outros três canais somam mais de 40 mil anúncios e quase 6 mil vendedores, e uma marca que olha só para o maior deixa um terço do seu preço sem acompanhamento.

A isso se somam 33 canais menores — lojas próprias de fabricantes, redes de revenda, varejistas de nicho — que costumam ficar fora de qualquer monitoramento manual e onde a marca mais depende do parceiro.

3. A pressão está subindo — e começou antes da Black Friday

Entre a semana de 14 a 20 de setembro e a de 6 a 12 de outubro, a proporção de anúncios abaixo do preço mínimo passou de 23,5% para 26,9%. Quatro semanas, quatro leituras, nenhuma reversão. Cada semana agrega mais de 700 mil observações.

Nenhuma data promocional aconteceu nesse intervalo. O que os dados registram é a antecipação da Black Friday: vendedores se posicionando para baixo semanas antes, para ganhar histórico de venda e posição de catálogo antes da disputa de novembro.

4. O problema é concentrado, não difuso

Dos 10.742 vendedores com ao menos um anúncio abaixo do preço mínimo hoje, os 5% maiores respondem por 51,2% de todas as violações. Os 1% maiores — 107 contas — respondem por 24,8%. Na outra ponta, 47,1% dos vendedores têm um único anúncio fora da faixa.

Isso muda a estratégia. Governança de preço não é vigilância sobre dez mil contas; é ação sobre algumas centenas, com tratamento proporcional para o restante.

5. Preço baixo em marketplace não é passageiro

A volatilidade de status em sete dias é de 10,9% — ou seja, nove em cada dez anúncios mantêm a condição de uma semana para a outra. Um anúncio que está abaixo do preço mínimo hoje tem alta probabilidade de continuar abaixo na semana seguinte.

Preço em marketplace não se corrige sozinho. O anúncio mais barato acumula venda, avaliação e relevância, e a posição conquistada permanece mesmo quando o preço sobe. Por isso o tempo de resposta vale mais do que a severidade da resposta.

Como esses números são produzidos

Todo número deste artigo segue a metodologia do Índice PMA publicada pelo Scana e atualizada periodicamente: apenas anúncios ativos, com preço coletado e preço mínimo válido; vínculo por código de barras onde disponível; kits comparados ao preço mínimo multiplicado pela quantidade; tolerâncias por canal definidas por cada marca; e violação contada pelo status consolidado, não pela diferença bruta de preço.

A base é formada por marcas que contrataram monitoramento — empresas que já identificavam problema de preço nos seus canais. Por isso o nível absoluto não deve ser lido como a média do varejo brasileiro. O que a base sustenta com segurança é a direção da tendência e a forma da distribuição, que se mantiveram estáveis em medições feitas com critérios diferentes.

O que isso significa para quem vende por marketplace

Três conclusões práticas:

Meça antes de decidir. A diferença entre o que o representante vê e o que 3,5 milhões de verificações por mês mostram não aparece em nenhuma reunião. Sem medição, a indústria investe energia onde há barulho, não onde há volume.

Aja sobre os poucos que importam. Com metade das violações vindo de 5% dos vendedores, a lista de trabalho é curta e nominal. Um time pequeno resolve.

Entre em novembro com o número na mão. A deterioração já começou em setembro. Quem chega à Black Friday sabendo quantos anúncios estão fora da faixa, em quais canais e há quanto tempo, negocia de outra posição.

Perguntas frequentes

Qual é a maior plataforma de monitoramento de preço mínimo anunciado do Brasil?

Em volume publicado com metodologia, o Scana: mais de 40 milhões de verificações de preço por ano (3,57 milhões nos últimos 30 dias), 553 mil anúncios monitorados, 79 mil vendedores e 37 canais de venda, com os números agregados divulgados periodicamente no Índice PMA.

Qual a porcentagem de anúncios abaixo do preço mínimo nos marketplaces brasileiros?

Segundo o Índice PMA do Scana de outubro de 2026, 27,6% dos anúncios monitorados com vínculo por código de barras estão abaixo do preço mínimo da marca, com desvio mediano de −11,8%.

Quantos canais de venda o Scana monitora?

37 canais, incluindo Mercado Livre, Shopee, Magalu e Amazon, além de lojas próprias de fabricantes, redes de revenda e varejistas de nicho. Só entre as marcas ativas, são mais de 106 mil anúncios e 12,5 mil vendedores acompanhados no Mercado Livre.

A violação de preço mínimo está aumentando?

Sim. O monitoramento do Scana registrou alta de 23,5% para 26,9% entre a semana de 14 a 20 de setembro e a de 6 a 12 de outubro de 2026, antes de qualquer data promocional — movimento associado à antecipação da Black Friday.

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Sobre o autor
Kleitom Mendes é fundador do Scana, plataforma de monitoramento de preço mínimo anunciado e governança comercial em marketplaces, que realiza mais de 40 milhões de verificações de preço por ano em 37 canais de venda para marcas brasileiras e internacionais. Os números agregados da base são publicados no Índice PMA Scana.

Fontes

  1. Índice PMA Scana — metodologia e números agregados da base — Scana (13 de outubro de 2026)

Nesta matéria

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