B3 enquadra Casas Bahia e cobra cronograma para ação voltar a valer mais de R$ 1
Varejista tem até 1º de março de 2027 para regularizar a cotação; empresa também prestou esclarecimentos à CVM sobre fundo de direitos creditórios
Notícias e apuração
· Atualizada em 17 de setembro de 2026, 03:32 · 3 min de leitura

A B3 enquadrou a Casas Bahia (BHIA3) e cobrou da varejista a divulgação de um cronograma para reenquadrar a cotação de suas ações, que deve ser regularizada até 1º de março de 2027, segundo o Money Times. Os papéis são negociados abaixo de R$ 1 desde 21 de julho.
Contexto
De acordo com o Money Times, norma da bolsa impede que ações fiquem cotadas abaixo de R$ 1 por mais de um mês, para evitar fortes volatilidades. Esses papéis são chamados de penny stocks. A Casas Bahia está em recuperação judicial.
O que aconteceu
Pelo enquadramento, a companhia precisa informar ao mercado um cronograma para trazer a cotação de volta ao patamar exigido até 1º de março de 2027, segundo a reportagem. O material não detalha qual medida a empresa pretende adotar.
A Casas Bahia também divulgou esclarecimentos, a pedido da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), sobre notícia publicada pela Veja em 14 de setembro. Segundo a revista, a companhia havia colocado mais de R$ 1 bilhão em um fundo relacionado à empresa em recuperação judicial, o IBCB-AF01 Fundo de Investimento em Direitos Creditórios (FIDC IBCB).
Os principais pontos dos esclarecimentos, de acordo com o Money Times:
- Sem novos aportes: a empresa afirma que não fez aportes no fundo no primeiro semestre de 2026. O saldo das cotas subordinadas passou de R$ 780 milhões em dezembro de 2025 para R$ 1,166 bilhão em junho de 2026; segundo a companhia, a alta de R$ 386 milhões veio do resultado das próprias cotas, e não de novos recursos.
- Participação no fundo: em 30 de junho de 2026, a Casas Bahia detinha R$ 1,166 bilhão em cotas subordinadas, equivalentes a 61,08% do patrimônio líquido do FIDC. Essas cotas absorvem perdas antes das cotas seniores, que somavam R$ 743 milhões.
- Valores diferentes: o montante de R$ 1,085 bilhão na relação de credores corresponde às obrigações com o fundo incluídas na recuperação judicial na data do pedido. Já os R$ 1,913 bilhão das demonstrações financeiras individuais de 30 de junho de 2026 incluem operações de risco sacado e nota comercial. A diferença, de cerca de R$ 828 milhões, decorre de pagamentos, liquidações e obrigações fora do processo, segundo a empresa.
- Consolidação: o FIDC é consolidado nas demonstrações da companhia, e os saldos entre ambos são eliminados.
A administração afirmou que a notícia não constitui novo fato relevante pendente de divulgação, pois saldos e estrutura do fundo já constavam das informações financeiras, e que não houve nova operação nem novo aporte.
Por que importa
O enquadramento na B3 estabelece um prazo formal para a situação da ação de uma empresa em recuperação judicial. Os esclarecimentos à CVM detalham a relação financeira da companhia com um fundo com o qual tem obrigações.
Impacto para o mercado
- Fornecedores e credores: segundo a empresa, as obrigações com o FIDC registradas nas demonstrações individuais incluem operações de risco sacado e nota comercial, e parte delas não integra o processo de recuperação judicial.
- Mercado: a companhia terá de apresentar um cronograma público para regularizar a cotação dentro do prazo fixado pela B3.
Próximos passos
A Casas Bahia deve divulgar o cronograma de reenquadramento exigido pela B3. O prazo para regularizar a cotação é 1º de março de 2027, segundo o Money Times.
Fontes
Fontes
- Casas Bahia (BHIA3) leva enquadra da B3 para ações; varejista também esclarece notícia sobre fundo inflado — Money Times (16 de setembro de 2026)
Checagem editorial
- ConfirmadaA B3 enquadrou a Casas Bahia (BHIA3) para divulgar cronograma de reenquadramento da cotação, com regularização até 1º de março de 2027; ações abaixo de R$ 1 desde 21 de julho
- ConfirmadaNorma da bolsa impede penny stocks abaixo de R$ 1 por mais de um mês, para evitar fortes volatilidades
- ConfirmadaA Casas Bahia está em recuperação judicial
- ConfirmadaEsclarecimentos a pedido da CVM sobre notícia da Veja de 14 de setembro sobre mais de R$ 1 bilhão no FIDC IBCB
- ConfirmadaR$ 1,166 bilhão em cotas subordinadas (61,08% do PL) em 30/06/2026; seniores de R$ 743 milhões; subordinadas absorvem perdas antes
- ConfirmadaSem aportes no 1º semestre; saldo de R$ 780 milhões para R$ 1,166 bilhão; alta de R$ 386 milhões pelo resultado das cotas, segundo a companhia
- ConfirmadaR$ 1,085 bilhão na relação de credores; R$ 1,913 bilhão nas demonstrações individuais com risco sacado e nota comercial; diferença de cerca de R$ 828 milhões explicada pela empresa
- ConfirmadaFIDC consolidado com eliminação de saldos; administração diz não haver novo fato relevante, nova operação ou novo aporte
- ConfirmadaParte das obrigações com o FIDC não integra o processo de recuperação judicial, segundo a empresa — A empresa cita obrigações que não fazem parte do processo de recuperação judicial ao explicar a diferença de valores.
- Provável[fact-checker] REVISÃO HUMANA SENSÍVEL — Empresa em recuperação judicial e notícia sobre aplicação em fundo ligado à companhia. O texto se apoia em reportagem do Money Times que relata o enquadramento da B3 e os esclarecimentos prestados a pedido da CVM; faltam no material o ofício da B3 e o comunicado ao mercado, documentos que devem ser conferidos na revisão humana. Não há imputação de irregularidade.
- Não confirmada[fact-checker] APURAÇÃO HUMANA NECESSÁRIA — Conferir no site de RI da Casas Bahia ou na CVM o comunicado com os esclarecimentos sobre o FIDC IBCB e sua data.
- Não confirmada[fact-checker] APURAÇÃO HUMANA NECESSÁRIA — Confirmar a data do ofício de enquadramento da B3 e a norma aplicada.
- Provável[editor de texto] Observação para o editor humano — Matéria sensível (recuperação judicial): conferir o ofício da B3 e o comunicado da Casas Bahia à CVM antes de publicar. Fonte única (Money Times); data do ofício e norma aplicada não informadas. Pode valer link interno para a matéria já publicada sobre recuperações judiciais no varejo.
Perguntas frequentes
- Por que a B3 enquadrou a Casas Bahia?
- Porque as ações operam abaixo de R$ 1 desde 21 de julho, e norma da bolsa impede que papéis fiquem nesse patamar por mais de um mês, segundo o Money Times.
- Qual o prazo para a Casas Bahia regularizar a cotação?
- Até 1º de março de 2027; a empresa deve divulgar um cronograma de reenquadramento.
- A Casas Bahia fez novos aportes no FIDC IBCB?
- Segundo a empresa, não houve aportes no primeiro semestre de 2026; a alta de R$ 386 milhões nas cotas subordinadas veio do resultado das próprias cotas.
Nesta matéria
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